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Serviço de Anestesiologia do Felício Rocho: aprendizado na complexidade

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Tudo começou em 1937. O imigrante italiano Felice Nicola Rosso, então com 70 anos, havia acumulado uma pequena fortuna e não tinha herdeiros. Decidido a doar mil contos de réis à Santa Casa, foi dissuadido da ideia pelo amigo e advogado Américo Gasparini. Ao invés disso, veio a sugestão: por que não construir seu próprio hospital?

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(Foto: Divulgação)

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Rosso topou a ideia e, em 24 de março daquele ano, era assinada a escritura pública para criação da Fundação Felice Rosso – cuja principal responsabilidade era a construção e manutenção do novo espaço. Infelizmente o patrono não viveu o suficiente para ver a concretização do sonho, em 21 de junho de 1952. Mas o advogado e amigo estava lá, permanecendo à frente da administração até a sua morte, em 1971.

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Ainda na década de 1950, os primeiros anestesistas chegaram com a missão de estruturar o serviço de anestesia do hospital e recrutar novos profissionais. E, em 60 anos, a estrutura se modernizou de tal modo que, nos dias de hoje, é uma das mais completas de Belo Horizonte.

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“Realizamos todos os tipos de transplantes, cirurgias neurológicas complexas, cirurgias robóticas e de alta complexidade. Isso exige atuação extremamente profissional, competente e adequada em prol do paciente”, avalia Geraldo Botrel, há 35 anos anestesista do hospital.

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Complexidade e especialização

O Felício Rocho tem papel de protagonismo em Minas Gerais por ter sido a primeira unidade hospitalar a realizar transplantes de rins, fígado, pulmão e pâncreas. Além disso, foi hospital pioneiro em cirurgias para tratamento de epilepsia, microcirurgia para revascularização, enxertos completos, grandes queimados e reabilitação de grandes traumas em membros.

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Os casos complexos contribuíram para a formação dos anestesistas, que acumularam o conhecimento com o passar dos anos. Atualmente, a equipe reúne 35 profissionais, qualificados para atuar em qualquer procedimento demandado. “Prezamos pelo tratamento completo do paciente. E com a modernidade e o aumento da complexidade dos procedimentos cirúrgicos, a equipe foi se modernizando”, conta Geraldo.

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Em função das características e do grande número de procedimentos, os profissionais do hospital cumprem escalas diárias. No início do dia, o coordenador avalia os procedimentos que serão realizados e distribui os trabalhos. Não há distinção entre os profissionais: todos participam de todas as atividades. Há protocolos a serem seguidos, que tornam o serviço uniformizado e garantem a qualidade em qualquer situação.

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A organização e os tipos de procedimentos realizados chamaram a atenção de Vera Coelho Teixeira. No início da década de 1990, ela atuava na unidade de terapia intensiva e acompanhava o trabalho dos anestesistas. Foi quando se interessou pela especialidade e entrou para a residência. Dois meses após o término da especialização, foi contratada. “O serviço é muito estruturado. Os equipamentos foram melhorando progressivamente ao longo dos anos, as novas drogas foram surgindo e o hospital acompanhou todo o movimento. Hoje temos praticamente tudo de que precisamos para prestar os atendimentos adequados.”

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Além disso, os profissionais participam de um programa de educação continuada. Todos os dias, os anestesistas assistem a aulas por 30 minutos, discutindo anestesias especiais e trocando conhecimentos sobre as melhores práticas. “Isso nos mantém atualizados. Há 30 anos temos aulas regulares, todos os dias. É uma verdadeira escola”, diz Geraldo.

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Mas o grande diferencial está mesmo na equipe. Vera conta que os profissionais do Felício Rocho sempre tiveram uma participação diferenciada nas sociedades, contribuindo para o desenvolvimento da classe. “Sempre temos algum membro da equipe participando. Eu já estive na SAMG, o Geraldo está na Coopanest-MG. Nossa equipe sempre achou importante lutar por nossos direitos.”

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Essa participação também contribuiu para aumentar a união dos anestesistas. Geraldo considera que o Felício Rocho tem equipe muito homogênea, propiciando um bom relacionamento no ambiente de trabalho. “Como estamos juntos o tempo inteiro, é como se tivéssemos formado uma segunda família.”

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Histórias de formação

Os anestesistas do Felício Rocho também enfrentam o desafio de ensinar os mais jovens. A residência do hospital tem cerca de 30 anos e sempre foi considerada uma das melhores do Estado. “A diversidade de pacientes ajuda bastante. Os alunos têm oportunidade de ver diversos tipos de enfermidades”, avalia Vera.

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Com isso, os profissionais são estimulados a se manterem sempre atualizados. “Os residentes são muito exigentes. Você está ali para ensinar, mas também aprende o tempo inteiro. Isso nos enriquece acadêmica, cientifica e pessoalmente”, diz Geraldo. O profissional avalia que esse processo contribuiu bastante para que o hospital evoluísse nas últimas décadas, formando profissionais ainda mais capacitados do que os seus mestres. E com os anos de experiência, o que não faltam são histórias. “Neste semestre vou ser professor do filho da minha primeira residente. Também tive uma residente em que atuei no nascimento dela, como anestesista da mãe”, relembra.

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